Feliz 2026 - Uma efêmera mensagem de natal.
Duas palavras!
Nas reminiscências de um ano que ainda está, e que de fato ainda é, se pode partilhar com afeto o que remanesce dos finais desses dias. O grande milagre que é viver, somente faz sentido se houver partilha. Os afetos que andam, por hora, atrás da porta e da passagem pouco visitada é a ode máxima d’um livro que não lemos, por medo das verdades incontestes e ainda, agora, por assim dizer; reclama para si um lugar próprio.
Mas acolhendo a tudo isso, acredito piedosa e fidedignamente que partilhar coisas simples, nos transformam, nos melhoram, nos aliviam. Não há viva alma, que no pós-trauma ou perda intensa, ao experimentar o desapego superficial ou profundo e dar-se de si sem pensar em si, não tenha sentido, ainda que em diminutas porções, uma alivio, uma paz restauradora.
“Um ano que se consolida nos seus dias, longos para quem espera, passageiro e efêmero para quem se diverte. O tempo só se conta, enquanto tempo, quando já não mais está.”
Saramago dizia da morte: “- É está n’um instante e em outro já não mais está.” E ao final o que importará é o que se fez por alguém.
O natal embora nos seja uma data tão importante, tem em si, um caráter melancólico que se disfarça em certa medida pelas compras, comidas, pessoas e cheiros de roupas novas, das compras de finais de ano que adaptamos dos costumes judaicos. Eles compravam roupas novas no Rosh Hashaná, que corresponde a seu ano novo entre setembro e outubro e, nós tomamos essa tradição. Tanto lá como cá o importante é a celebração ou a confraternização que toma conta das pessoas, das ruas e das casas e as aparências e enfeites.
A festa da natividade cristã é um convite a reflexão. Um homem tão simples, uma criança que nasce em Belém, um rei, o ungido. O escolhido e revelado nas profecias (Gênesis 3:15 / Isaías 7:14), profecias do seu sofrimento e morte (Isaías 53 / Zacarias 9:9 / Zacarias 11:12) e cantado no entender do salmista (salmo 22:18). No entanto, Ele, somente pretendia dar aos homens de seu tempo a compreensão da brevidade da vida e que o maior gesto não carecia de nada, senão, de humildade profunda que trouxesse ao outro tratamento igual ao dispensado a si próprio. Ele propôs um amor tão grande, tão irrestrito, e tão puro que assustava, que ainda assusta. Cristo se apresenta por inteiro, e propõe o mesmo a nós, mas nossa mesquinhez se prende a títulos, frases de efeito, gestos do pequeno poder, que nos sufocam a pouca humanidade que temos, e a distância entre intenção e gesto acentua-se de forma abissal.
Um Natal feliz! Um grande ano de 2026.
Que o nosso Deus, pai de bondade lhe seja sempre próximo.
Taciano Minervino.
Recife, 07/11/2025 16:45hs