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Feliz 2021 – Ode a nova vida.

Não que não valha a pena os incansáveis votos de estimas e boas sortes que derramamos, derramaremos natal a fora, neste e nos próximos. A questão é que o misto de melancolia e felicidade que os natais nos dão, é com toda certeza fruto de uma momentânea, ainda que crível aposta, no que de bom poderá acontecer nos próximos trezentos e sessenta e cinco dias pra diante. - Desde que o ano não seja bissexto, é claro!

O ilustre aniversariante do mês, nem sempre é suficientemente lembrado, mais ainda; o seu sacrifício, também não é lembrado. Aos que não creem, há de se compreender às devidas ressalvas, mas, quanto aos que se proclamam crentes ou crédulos, qual seria a desculpa?

Não falo do Cristo flagelado, esquálido e quase derrotado, tampouco, daquele ressuscitado, tal qual uma figura mitológica quase intocável. Falo mesmo do Cristo que nos trouxe uma bela e clara mensagem e que para além dos sortilégios e crenças, nos apresentou um mundo onde é possível conviver e amar.

Crendo plena ou parcialmente nessas coisas, que de certo modo, nos impele de nos tornarmos mais empedernidos, frente a tantas coisas detestáveis pelas quais o mundo e não menos o país se entrega e insiste em lá permanecer, é que caminhamos no tal do dia após dia, sem muita imaginação para o futuro. Mas, crendo no amanhã.

Creditamos as nossas desventuras ao destino e as nossas bem-aventuranças ao nosso proeminente merecimento. O fato é que para além da Pandemia do novo-corona vírus (covid-19), que mesmo que nos digam não existir na escala em que se publica, existe. Isto mesmo! De fato, existe e mata. “Caminhamos no compasso determinados pelos “deuses”, ou pelo menos, a seu interesse, como se estivéssemos metidos em uma nova forma de estoicismo moderno, jogamos uma espécie de jogo do absorto, no qual não se deixa conhecer todas as regras e, por isso pagamos sempre em dobro, o preço que não queremos para o que não conhecemos e, que não combinamos.

Machado de Assis, o grande mestre, em sua imensurável sabedoria dizia que havia no Brasil dois brasis, um oficial e o outro real e, acentuava: “O país real, esse é bom, revela os melhores instintos; mas o país oficial, esse é caricato e burlesco”. De fato, Machado estava e ainda está muitíssimo certo.

Essa divisão ou mesmo polarização, como certa parte da mídia decidiu assim chamar, não é de agora, nem mesmo nova, a questão é que ela ganhou novos contornos, e é aí onde tudo se agrava. Um país que não se reconhece, em si próprio (peço perdão pela redundância) e, vive apartado em um inescusável jogo de castas só pode mesmo relegar o futuro à própria sorte.

Temos por princípio descontar na política e nos políticos todas as nossas mágoas, ainda que os mais inteligentes ou experientes nos advirtam; - nada, mas é a política senão um reflexo fidedigno da sociedade, posto que será sempre uma balança e que, portanto, não há de se encontrar político honesto em sociedade corrupta e nem o contrário disso. Então o ideal é sociedade honesta e político honesto? - Sim, preferencialmente. E o Brasil tem? - Sim, em parte tem, do contrário estaríamos bem piores. Mas é preciso se esforçar mais.

Claro que se perguntássemos as pessoas se elas são honestas, seriamos brindados com uma enxurrada de respostas afirmativas, mas, quando comparássemos o que é dito e o que é feito, encontraríamos tantas variações de comportamentos e a nefasta percepção de que na maioria das vezes, o gosto pelo errado está tão arraigado que o enraizamento parece natural, imutável, secular, hereditário ou atávico, e o pior; quase sempre justificável, que certamente seria impossível comparar o dito com os feitos.

Há pouco mais de dois anos o país se viu às voltas com uma espécie de eleição binaria, na qual se tutelava a capacidade do ex-presidente Lula (na ocasião detido em Curitiba), em provar sua proeminente sede de se tornar uma espécie de dono de um Brasil “sempre grato a si”, e por isso mesmo, tutelou seu pupilo Fernando Haddad que obteve os tais 47.040.096 votos, contra natureza pseudo hostil do atual Presidente Jair Bolsonaro que obteve 57.797.847 votos. Este último com a promessa de moralizar o Brasil e trazer de volta o que o país perdeu; a decência, a moral e a ética. O que dois anos depois não se confirma, parece que não há de se confirmar.

Dois anos depois, as ações que em tese alçariam o Brasil a um estado maravilhoso, parece não terem ocorrido, ou mesmo a influência no dia a dia do cidadão comum foi nula. De fato, o governo tem ideias de vender grande parte do patrimônio público, o que se conhece como privatização, e a lista é extensa, inclusive, capitaneada pelo irritadiço ministro Guedes: Banco do Brasil, que já é de largo tempo é uma sociedade mista, Caixa Econômica, Correios e telégrafos, este com certo encantamento pelo Grupo Magazine Luiza, Petrobras. Segundo o próprio Presidente, o montante era de 50 empresas, mas o dado concreto é que nem mesmo a EPL – Empresa de Planejamento e Logística, a famosa empresa do trem-bala, da ex-presidente atrapalhada e patética Dilma Rousseff, foi desmontada ou encerrada.

A bem da verdade, o mundo moderno atualemnte prefere conceções às privatizações, isto porque, no processo de privatização em que a venda é inerente, o patrimônio que a empresa possui nunca é indenizado, ao passo que nas concessões o Estado se exclui da operação porque o concede, a um determinada grupo privado e este por sua vez é o prestador de serviços à sociedade, e o patrimônio estatal não é perdido, e mais, se tem mais tempo para avaliar se de fato aquela empresa necessariamente precisa ser privatiza ou não.

Não se pode crer que seja dever de um País, como é o caso do Brasil, ter a incumbência de entregar correspondências ou encomendas, inclusive, porque o serviço além de ruim é muito caro. Os correios e telégrafos, talvez pressuponham um exemplo desses, em que conceder seja melhor que privatizar. Mas os números estão com o governo e não conosco.

De resto, não me devo alongar, desejo mesmo é ver um estado melhor de coisas. O Brasil precisa mesmo é de gente que goste dele. Ora! Já fomos uma nação pujante crescemos sem pausas amargas de 1937 a 1980.O que há de tão perverso na lógica de governar?

É sabido que a pandemia alterou o rumo natural das coisas, destroçou economias, frustrou expectativas, mas, é preciso lembrar que é justamente nas adversidades que se mostra a capacidade inventiva. Tem sido assim nos dramas humanos. E espera-se que assim o seja nos próximos e para o próximo ano.

É de esperar um 2021 melhor e menos ... toxico!
Taciano Minervino
Enviado por Taciano Minervino em 26/12/2020
Alterado em 26/12/2020
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