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Madorra profunda.

Eu vi a bela dona debruçada na janela, tão bela,
com olhos puros e negritados, cabelos negros gastos
olhando pela fenestra do tempo, era brisa e vento.
Eu vi o descanso do sol partindo pro tramonto.

- e pronto!

Eu vi o sol sob o cair da tarde âmbar,
a esperança do mundo dar-se ao apagar
de noites serenas, noutras vidas pequenas,
cabelos curtos caídos,
- Mas vida houvesse diria : seria pra lhe dar.

Eu vi a calmaria silente da noite impura, estradura
feita de barro, pedra, areia, coberta de junco.
Dos animais, que cavalgam, eu vi a esperança imprópria.
declamada em decassílabos senis e mudos, tão infecundos

Eu vi o sol em plena noite, o céu, a lua, a vida
mensurei no espaço a dor da partida.
Eu vi no outro, o lado vivido, frugal
uma pessoa translucida, eu vi, era irreal

Eu vi os cabelos raros, pretos, a tez branca,
a epiderme clara, sentir quase um cheiro de flor 
era ela, a bela, - ou seria Oxomoco, vestida de dor ?

Eu vi, naquele instante, as faces largas e rubicundas,
o olhar ardente, distante e também demente
naquela cona cheia de vida, a esperança eterna
incapaz de sobrestar e o mundo esperando.

Eu vi a estrada impura, feita de barro, pedra, areia e seixo
desde lá se via o que não se podia ver, no céu, um sol noturno
e a dor, de todo este mundo, diurno, que a pouco iria nascer ...

Eu vi pelos os olhos da bela dona, que chegava a se esconder
e ficava calada, olhando tudo daquela janela, debruçada
vendo o mundo que vai se descolando de si.

Eu vi! Eu vi!

Era alma, corpo, coração, eu vi, eu sei. Ela, apenas supõe.
Taciano Minervino
Enviado por Taciano Minervino em 23/08/2020
Alterado em 23/08/2020
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