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A culpa não é da copa.

É claro como o dia que há no Brasil e em outras partes do mundo, políticos oportunistas e dissimulados, para os quais uma copa serve de véu do esquecimento, ideal para a prática das impopulares e até desonestas medidas, que embora feitas de uma só vez, ao melhor estilo Maquiavel, se perpetuarão por gerações ou até que um outro líder ou oportunista as venham revogar.

A mídia brasileira fabrica uma espécie de consciente coletivo, no qual não cria alternativas para a liberdade do pensamento comum, tampouco, da opinião própria. É muito comum que em um dia de vitória seleção brasileira todo o discurso do contra seja acautelado e, por tabela haja quase uma felicidade intransponível, nacional, que os problemas diários de um país tão precário como o Brasil não sejam motivo, nem mesmo, para reflexão de mesa de bar. 

É muito comum que constantemente a mídia divulgue o altos ganhos dos jogadores de futebol e, suas casas palacianas, além é claro das belas mulheres que os cercam, sem esquecer da verdadeira comitiva que acompanham esses talentos que os fazem sentir-se uma espécie de diferença messiânica, mas, que ao final do dia, são garotos muitas vezes perdidos entre uma infância simples e a nova vida  que se abre diariamente a ser explorada, entram em uma espécie bungee jump psicológico , onde o salto muitas vezes resulta em caminhos insondáveis, como tanto já se viu e se tem notícia.

Neymar Junior, tem o seu salário revelado e exposto a cada dia, ou melhor, a cada conversa sobre futebol promovida pelos canais de tv e rádio, sem deixar a parte os jornais e revistas impressos. Mas nas contas dos despreparados repórteres não entram o desconto do Imposto de renda da pessoa física, que favorece um estado viciado e desidioso e que nunca chutou nenhuma bola, mas que pode abocanhar até 27,5% de tudo que ele recebe, desde é claro que os seus rendimentos estejam tributados como pessoa física, - não creio!

A mídia que tanto glorifica como demoniza tem mania de dizer que eles, os jogadores, ganham tantos e quantos, deveriam adaptar o discurso e dizer que recebem tantos e quantos, isto porque, o verbo transitivo direto; GANHAR, muitas vezes empregado parece não caber muito bem no contexto. Na verdade, deveria se utilizar o verbo RECEBER, que é o mais justo para o caso.  Ganhar mesmo ganham os políticos brasileiros que nada fazem, exceto aumentarem seus ganhos e luxos. Digo os políticos, sem precisar excepcionalizar, porque pouco a pouco e a depender do caso, temos provado mais semelhanças que diferenças entre essa corja.   

Comparar um professor que recebe tão mal com o um jogador de futebol é uma das maiores covardias que se pode fazer com o espetador ou telespectador que está a ver ou ouvir o noticiário. Deve-se observar que além de serem caminhos diversos, ambos cumprem a seu modo papeis diferentes na sociedade, e se a educação vai mal, ou se os professores são mal remunerados cabe a sociedade exigir a melhoria, votar corretamente, exigir sistematicamente dos governos.  Ocorre, porém, que preferimos sempre o murmúrio, o queixume, a solução de gogó e nunca a ação reflexiva ou a cobrança corretiva que chegue até essa corja imunda que se tornou a classe política brasileira.

Somos um povo passivo, e ouvimos muito o que nos diz a mídia, sobretudo aquela que nos é oferecida pelos canais das televisões abertas, tidas como “gratuitas”.  Você pode não assina-la, mas consome o intervalo comercial, sem dúvidas.   
 
Não é o jogador que fica com a grande fatia do bolo, ou da bolada, há nesse meio, os dirigentes de clube, os patrocinadores e suas exigências, os empresários, olheiros, intermediadores e bajuladores de plantão.

As estáticas estão aos borbotões a mostrarem que só uma quantidade ínfima de jogadores de futebol chega ao estrelato como os que estão na seleção brasileira.

O brasil que padece de tantos males, mas certamente não serão ajustados ou corrigidos se deixarmos de ver a copa, ou de torcemos contra a vitória da nossa seleção brasileira, que ainda é um dos poucos motivos de orgulho para nós que temos tão pouco a nos orgulhar.  

A culpa não está no torneio, mas, nas pessoas que conduzem a politica e em um estado cada vez mais caro, nos Magistrados que de tantas regalias igualam-se a príncipes e sacerdotes da idade média, nos altos funcionários públicos que de tanto bônus e gratificações elevam a agonia da previdência social. Na sucessão de governos incompetentes que levaram o país a bancarrota. A culpa não é da copa, nem da economia.   
Taciano Minervino
Enviado por Taciano Minervino em 03/07/2018
Alterado em 03/07/2018
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