Textos


Nem toda verdade poderá ser dita.

Faz certo tempo, creio que, ali por volta de 2013, as tais manifestações de junho, com reivindicações dissonantes e, às vezes antagônicas em  um país chamado de Brasil,  que começou  a testemunhar alguma mudança na ordem do dia, na efervescência dos ritos e delitos do poder.   


Nem sabíamos direito o que se tratava. Nem nós, que assistíamos, nem os que ali protestavam, e reivindicavam.

E assim foi fluindo a marcha dos descontentes; Um por melhores salários, outros por melhores e menores passagens dos transportes coletivos, outros por um governo novo, que sacasse para longe, bem longe, o erro da então despreparada senhora Rousseff.  Ato contínuo,  nada mudou no dia seguinte. 


Mas, com o tempo, (aproximadamente dois anos depois) as coisas se desconfirguraram, a hegemonia do PT, Partido dos Trabalhadores, para uns, dos Traidores para outros, viu-se meio sem ação, sem ressonância. O fiel escudeiro de sua excelência, Eduardo Cunha, Presidente do congresso, que se achava o tal, viabilizou o até hoje discutível impedimento (impeachement) da Sra. Rousseff.  Sua excelência foi pra casa mais cedo e, como quem perde a copa por 7X1, neste caso, antes de ir as semifinais, virou carta fora do baralho, acordou rainha e foi dormi peã. 

Entre o inicio do processo em 02 de dezembro de 2015, conforme denuncia oferecida pela trinca de advogados: Hélio Bicudo (ex-PT),  Miguel Reali Junior e Janaina Paschoal, esta ultima atualmente Deputada eleita pelo PSL ,  e o encerramento do  processo em  31 de agosto de 2016, tendo como resultado a cassação do mandato da então afastada presidente, o que se viu foi um verdadeiro purgar de emoções. Uma mulher dura, que não apelou aos floreios do meio politico e um bando de marmanjos (deputados) que ao votarem pelo impedimento da Madame, pareciam quererem conquistar seus segundos de fama.  Ah! sem esquecer do ardiloso  vampiro Temmer Michel, que estava louco para dormir vice e acordar titular ( e não é que conseguiu ! -  no mesmo 31 de agosto de 2016) .

A Sra. Rousseff que perdeu a presidência, mas, não os direitos políticos, podendo livremente se candidatar já na eleição subsequente, conforme garantiu o douto Supremo Ministro Dr. Ricardo Lewandowski, que regalou a  sua Excelência até o dia de morrer:  (i) 04 Seguranças, 02 assessores, 02 motoristas que custariam aos cofres públicos R$ 50.000,00 por mês, (ii) 02 carros oficiais a sua disposição e claro a possibilidade de voltar aos ritos e delitos do poder. 

Não teria por fim, nenhum valor de salario, já que a aposentadoria a ex-presidentes foi suprimida na constituição de 1988, vigorando até o antigo regime militar.   

De resto ficou de prático o menos esperado, mas, aguardado e até sonhado por alguns:
Lula preso, Cunha preso, Palocci preso, Zé Dirceu já estava, continua preso.  Os magnatas da Odebrecht presos e tantos outros “inocentes” ... 
Certo tempo depois (ano de 2018) uma das eleições mais emblemáticas nos é apresentadas, dos 13 candidatos, penas um deveria passar, e passou com louvor: haja vista que Bolsonaro, obteve dos votos válidos; 57.796.986, isto é, 55.13%, contra 47.038.963, ou, 44.87% do seu rival, Fernando Hadadd (PT).

Nada mal para Hadadd que fez sua primeira campanha presidencial, não fosse o fato de está candidato quase que por procuração, representando um ex-presidente que se sabia não teria a menor condição de ser nada, posto, que as penalidades que lhe foram imputadas seriam impossíveis de serem anuladas.  Some-se a isso o fato do outro candidato, no caso, o vencedor, ter tido a falta de sorte de ter sofrido um atentado à faca, o qual lhe impediu de ir a todos os debates, nos quais certamente protagonizaria os momentos mais vexatórios da televisão aberta neste país, e possivelmente lhe custasse a eleição. 

O fato é que o Presidente Bolsonaro a despeito de tudo e todos chegou lá, talvez para comprovar a máxima que diz que presidência da republica é destino e não preparo. 

Desta vez não deu pra globo que tentou Geraldo Alckmin, João Amoedo, ou até o Meirelles. Ficou mesmo para o despreparo insipiente do Messias Bolsonaro. 

Quando os analistas políticos analisarem a eleição de 2018, encontrarão várias formulas e arquétipos para explica-las, alguns em vão tentaram decifrar os enigmas aqui ou acolá, mas o fato é que ninguém será capaz de compreender o que move o povo, nem o que está contido em uma eleição.  

Se o que ganhou a eleição foi o antipetismo a despeito do bolsonarismo, porque quase se elegeu o Haddad, e, porque Ciro Gomes, tão ríspido (embora inteligente) quanto Bolsonaro não foi ao segundo turno.  – Ninguém sabe, ninguém. 

O fato é que o governo Bolsonaro, não aprendeu a desassociar o homem da instituição, não sabe que a leitura de mundo se faz a partir da coletividade, por isso, sempre decide lendo a si próprio. 

Tem defendido com afinco a sua família, mas, não lembra que um país se faz de várias famílias, e sempre quando fala, coloca em risco o que temos de mais precioso: A democracia.   

E por ai se vão os piores números dos últimos tempos; 63 milhões de pessoas com seus nomes registrados nos órgãos de proteção ao crédito, 14 milhões de desempregados, 220 mil comércios fechados, 11 mil indústrias encerradas ou paralisadas, a divida publica que chega aos 80% do PIB e uma estrutura colapsada, nem mesmo os motores da economia podem reagir, porque esses estão resfriados.

A exportação, os investimentos do capital privado, os investimentos publicos e o consumo das famílias, são os motores que estão por serem desligados. Oxalá que não, que nunca.

O presidente Bolsonaro e sua equipe não são os culpados da situação que herdaram em que se considerem os mandos e desmandos dos governos que o antecedeu, porém, ele era ciente, e a ele compete reorganizar a roda, mas, pra isso é necessário bem mais que uma serie de bravatas.  É preciso pensar !
Taciano Minervino
Enviado por Taciano Minervino em 28/08/2019
Alterado em 28/08/2019
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